Moda

Indústria da moda desacelera investimentos em sustentabilidade

A indústria da moda deve movimentar US$ 3,3 trilhões até 2030. Caso o ritmo de crescimento seja mantido, serão fabricadas 102 milhões de toneladas de roupas calçados nesse período. A título de comparação, esse peso equivale a meio milhão de baleias azuis. 


Por se tratar de um setor extremamente poluente, acredita-se que a moda é capaz de acelerar as mudanças climáticas. Em 2015, o segmento gerou 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, o que é mais do que todos os voos internacionais e transportes de carga marítimos juntos. Além disso, a moda também é responsável por um quinto da poluição global da água e um terço dos microplásticos nos oceanos, segundo a Fast Company.


e nada mudar, o mundo deve viver uma grave catástrofe ambiental em 2040. Muitas regiões costeiras ficarão submersas, a comida será escassa e os recifes de corais serão extintos, de acordo com as previsões da ONU. E a moda terá um papel fundamental para que isso aconteça.


Nos últimos anos, a indústria da moda havia esboçado um esforço para diminuir impacto de suas atividades no planeta. Em 2019, contudo, esse movimento desacelerou. É essa a conclusão de um novo relatório produzido por três organizações: a Global Fashion Agenda, a Sustainable Apparel Coalition e a consultoria Boston Consulting Group.


Usando o índice Pulse Index, que leva em conta as metas de sustentabilidade das marcas de moda e a sua implementação, o relatório condlui que a indústria havia subido seis pontos no ano passado, mas avançou apenas quatro neste ano.


"A indústria ainda está se aprimorando no que se refere à sustentabilidade", disse Morten Lehmann, diretor de sustentabilidade da Global Fashion Agenda e coautor do relatório. "O problema é que o ritmo de melhora está diminuindo. Enquanto isso, a indústria cresce entre 4% e 5% a cada ano". Ou seja, as empresas de moda não estão mudando com a rapidez necessária para contrabalançar os impactos ambientais causados pelo seu crescimento.


No ano passado, a Adidas prometeu usar apenas plástico reciclado até 2024, enquanto a Nike garantiu que passará a utilizar apenasa energia renovável até o final deste ano. Mas a indústria de moda está longe de ser sustentável. O relatório constata que 40% de todas as empresas de moda nem sequer começaram a levar a sério a questão da sustentabilidade, estabelecendo metas ou repensando sua cadeia.


Entre as 60% restantes, boa parte das mudanças estão acontecendo nas empresas de pequeno e médio porte. Entre os maiores players do mercado, que faturam bilhões em receita todos os anos, o ritmo de melhora praticamente parou.


Soluções compartilhadas


Segundo Lehmann, a indústria só pode avançar se grandes empresas começarem a compartilhar soluções. "Existem desafios de infraestrutura que a indústria precisa enfrentar, como a construção de instalações de reciclagem de roupas e calçados, o desenvolvimento de novos materiais mais sustentáveis ​​e o uso de tecnologia para tornar a cadeia de fornecimento mais eficiente", disse à Fast Company.


Já existem alguns esforços de colaboração aberta, mas geralmente entre marcas menores. A Allbirds, por exemplo, trabalhou com uma empresa petroquímica no Brasil para desenvolver espuma a partir de açúcar de origem sustentável, em vez de petróleo. A empresa desenvolve a fórmula desse novo material com código aberto, para que qualquer outra marca de tênis possa utilizá-lo. 


Mas esses são apenas pequenos passos. Para que o impacto sofra uma redução importante, as empresas precisam compartilhar ideias e implementar soluções de maneira muito mais ampla e rápida. Além disso, o governo e os tomadores de decisão precisam criar regras que obriguem as marcas a seguir regras mais rígidas, os investidores devem apoiar marcas dedicadas à causa e a mídia deve continuar a chamar a atenção para os problemas do setor.



O consumidor também tem um importante papel a desempenhar. Os dados sugerem que muitas marcas se preocupam com a sustentabilidade devido, em grande parte, à pressão do consumidor. O levantamentou mostrou que38% dos 3 mil consumidores pesquisados ​​em todo o mundo dizem que trocaram sua marca preferida por outra que adotava práticas ambientais ou sociais positivas.