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Anseio por aprovação estimula Djokovic a continuar jogando

Talvez quando os fãs começarem a cantarolar para Novak Djokovic na quadra central seja hora de o sérvio pendurar a raquete.

Quando ele passar a contar com a mesma adoração reservada quase exclusivamente a Roger Federer na final épica de Wimbledon no domingo, talvez sua determinação enfraqueça, sua sede pelo combate diminua, seu gosto de “mostrar a eles” esmoreça.

“Quem sabe em cinco anos eu esteja ouvindo os mesmos cantos”, disse o tenista de 32 anos ao encerrar sua coletiva de imprensa após a vitória em cinco sets sobre Federer, que lhe deu seu quinto título em Wimbledon e o 16º de Grand Slam.

O triunfo de domingo, no qual salvou dois match points e suportou 94 winners de Federer na final de simples mais longa do torneio, confirmou Djokovic como o anti-herói definitivo do tênis.

Tirando aqueles que estavam em seu box, parecia que toda a plateia torcia pelo suíço. Eles até o vaiaram perto do fim quando ele golpeou um microfone fora da quadra com raiva.

Enquanto Federer e Rafael Nadal ainda estiverem jogando, ele estará atrás de ambos no quesito popularidade.

A agressividade tremenda, além de um talento absurdo, explicam por que Federer, Nadal e Djokovic, respectivamente com quase 38, 33 e 32 anos, continuam inalcançáveis para seus perseguidores e por que dividem 54 títulos de Grand Slam, incluindo os últimos 11.

Enquanto Federer pinta a quadra com pinceladas de mágica e o ousado Nadal joga tênis como um super-herói, Djokovic é o mestre do desgaste, esgotando os adversários com mil golpes.

Mas, apesar de ele ser reconhecidamente o melhor devolvedor que o esporte já viu, ser o melhor atleta e ter uma personalidade cativante, não existe amor suficiente para todos.